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ISSN
2176-4107
Editorial
Nesse mês de setembro, vários eventos seráo realizados
no Brasil, referentes ao dia 28 de setembro - Dia de Ação
pela Descriminalização do Aborto na América Latina.
Foi somente na década de 90, na Conferência Internacional
sobre População e Desenvolvimento (Cairo 1994) e a IV Conferencia
Mundial sobre a Mulher (Pequim 1995), que começa a ter relevância
a saúde sexual e reprodutiva como fundamentais para os direitos
humanos e o desenvolvimento. Nestes inclui-se o direito de todo casal
e de todo indivíduo de tomar decisões sobre reprodução;
livre de discriminação, e reconhece-se ainda, a necessidade
de tratar-se o tema dos direitos reprodutivos da mulher, e especificamente
o tema do aborto inseguro, de forma humana e solidária. A partir
destas conferências, a comunidade internacional passa a reconhecer
expressamente o aborto inseguro como um grave problema de saúde
pública.
Esperamos contribuir com a data, através da divulgação
dos documentos apresentados nessa edição, tais como, o
dossiê sobre : "Advocacy para o Acesso ao Aborto Legal e Seguro:
Semelhanças no Impacto da Ilegalidade na Saúde das Mulheres
e nos Serviços de Saúde em Pernambuco, Bahia, Paraíba,
Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro". O documento ressalta depoimentos
de mulheres que procuram os hospitais em situação de abortamento
e revelam atendimento desumanizado, com longas esperas em jejum e em
processo de sangramento, curetagens realizadas sem anestesia, atitudes
de recriminação e culpabilização da clientela
em proceso de aborto incompleto. Uma das principais recomendações
da pesquisa foi a do emprego pelos profissionais de saúde das
Normas de Atenção Humanizada ao Abortamento lançada
pelo Ministerio da Saúde em 2005, bem como a aprovação,
pelo Congresso, de projetos de lei que descriminalizem o aborto, considerando-o
uma questão de saúde pública para seu efetivo atendimento
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, algumas
das atividades planejadas referentes ao 28 de setembro desse ano, estão
relacionadas no site da AADS | Ipas Brasil na Agenda
de Eventos.
Vale ressaltar também que no Brasil, a autorização
para a antecipação terapêutica do parto nos casos
de anencefalia é fundamental para que os direitos reprodutivos
sejam efetivados. A Ação de Descumprimento de Preceito
Fundamental nº 54 (ADPF-54), que se refere ao pedido de reconhecimento
da constitucionalidade da antecipação terapêutica
do parto nos casos de Anencefalia, espera julgamento do Supremo Tribunal
Federal (STF) para ainda esse ano. A demora nesse processo judicial vêm
desde 2004, quando a Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Saúde (CNTS) ajuizou a ação no STF. O pronunciamento
do STF poderá sanar a lacuna existente na lei em relação à permissão
da antecipação terapêutica do parto nos casos de
gravidez de fetos anencefálicos, homogeneizando a interpretação
jurídica dada ao tema por juízes e tribunais pelo país.
Sobre esse assunto, apresentaremos o posicionamento da Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
(FEBRAGO) sobre gravidez com fetos anencéfalos.
Já no campo internacional, divulgamos o documento uruguaio sob
o título "(Des)penalizacíon del aborto en Uruguay:
Practicas, Actores y Discursos - Abordaje interdisciplinario sobre una
realidad compleja" ; bem como alguns dos debates bioético
e direito sexual e reprodutivo ocorridos no Congresso da Flasog (Federación
LatinoAmericana de Sociedades de Obstetrícia y Ginecologia) realizado
na Nicarágua no início deste mês.
Esperamos que estes materiais sejam úteis para ampliar o debate
sobre o tema e o posicionamento a favor da revisão da lei sobre
aborto no Brasil para deixar de ser um delito e ser definitivamente considerado
como objeto da saúde pública.
Muito obrigada
Leila Adesse
AADS | IPAS BRASIL
|
| Nesta
Edição
Artigos On-Line
GLOBAL
"(Des)penalizacíon
del aborto en Uruguay: Practicas, Actores y Discursos - Abordaje interdisciplinario
sobre una realidad compleja"
Equipo interdisciplinario
de la Universidad de la República. El proyecto fue aprobado
por la Comisión Sectorial de Investigación Científica
(CSIC), en el llamado 2008 del fondo universitario para contribuir
a la comprensión pública de temas de interés
general. El equipo coordinador del proyecto está integrado
por: Niki Johnson (FCS), Alejandra López Gómez (F.Psicología),
Graciela Sapriza (FHCE), Gualberto Arribeltz (F. Medicina), Alicia
Castro (F. Derecho). Colaboradores/as: Elina Carril (F. Psicología),
Grazzia Rey, Alicia Aleman (F. Medicina), Oscar Sarlo (F. Derecho),
Constanza Moreira (FCS), y Miguel Andreoli (FHCE).
BRASIL
EM FOCO
"Políticas Públicas para a Igualdade: balanço de 2003
a 2010 e desafios do presente"
A Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB é a
autora dessa publicação. Ano 2011
DIREITOS
SEXUAIS E REPRODUTIVOS
"Advocacy para o Acesso ao Aborto Legal e Seguro: Semelhanças
no Impacto da Ilegalidade na Saúde das Mulheres e nos Serviços
de Saúde em Pernambuco, Bahia, Paraíba, Mato Grosso do
Sul e Rio de Janeiro"
Soares, Gilberta S.; Galli, Maria Beatriz;
Viana, Ana Paula de A. L. Agosto 2011
SAÚDE
SEXUAL E REPRODUTIVA
"Posição da FEBRASGO sobre gravidez com fetos anencéfalos"
Olimpio
Barbosa de Moraes Filho (Comissão Nacional Especializada de Parto,
Abortamento e Puerpério) , Osmar
Ribeiro Colás (Comissão Nacional Especializada de Violência
Sexual e Inter.Gest.Prevista em Lei ) e
Nilson Roberto de Melo (Presidente) em junho
de 2011.
ESPECIAL-
28 DE SETEMBRO
"Educação sexual para prevenir. Contraceptivo para não
engravidar. Aborto seguro e legal para não morrer: Chamado à Ação 2011"
Rede Feminista de Saúde e Rede de Saúde
das Mulheres Latino-americanas e do Caribe – RSMLAC 2011
Informações
e Eventos
Notícias
» Brazil's
Unsafe Abortions Impede Development Goals (matéria internacional cita
Grupo Curumim e AADS | Ipas Brasil)
» Estudo
prevê que Brasil não cumprirá Metas do Milênio
junto à mortalidade materna
» Saiba
mais sobre a AADS | Ipas Brasil e como ajudar a organização
» CLADEM é nomeado
membro consultivo junto à UNESCO
» Congresso
da Flasog na Nicarágua: Aborto na adolescência preocupa
ginecologistas
Estudos,
Livros e Links Recomendados
Ciência
e Pesquisa
"Common mental
disorders in late pregnancy in women who wanted or attempted
an abortion"
by
A B Ludermir, T V Barreto De Araújo,
S A Valongueiro, G Lewis
"O
parto cesáreo e o sistema de saúde brasileiro: um
estudo em um hospital escola"
Ulysses dos Santos Torres (Médico
graduado na Faculdade de Medicina de São José do
Rio Preto, SP (FAMERP) - Maria Silvia de Moraes (Docente do Departamento
de Epidemiologia e Saúde Coletiva – FAMERP) e Roseana
Mara Aredes Priuli (Docente das Faculdades Integradas do grupo
FAIMI de Educação- Mirassol, SP)
|
Seminário debate aborto na próxima
semana
Dourados e Campo Grande receberão na semana que vem, quando é comemorado
o Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização
do Aborto na América Latina e Caribe, um seminário de formação
política a respeito dos direitos reprodutivos e interrupção
voluntária da gravidez. O evento é promovido pela Articulação
de Mulheres Brasileiras no Mato Grosso do Sul (AMB-MS), agrupamento estadual
da Articulação de Mulheres Brasileiras. A AMB-MS aglutina
pesquisadoras e jovens feministas e vai realizar o evento por meio do Projeto “É proibido
proibir: diálogos sobre autonomia reprodutiva e liberdade”.
O curso em Dourados acontecerá nos dias 26 e 27 de setembro, em
período matutino e vespertino, das 8h às 12h e das 14h às
17h, na unidade I da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Já a
formação em Campo Grande ocorre nos dias 29 e 30, das 8h às
12h e das 14h às 17h, no Pontão de Cultura Guaicuru, localizado
na Rua Treze de Maio, 727, Vila Santa Dorothéia. O evento terá como
objetivo apresentar a finalidade do grupo à sociedade e promover
o acesso a informações atualizadas e argumentos técnicos,
sociológicos, jurídicos, estatísticos e de saúde
pública sobre a realidade do aborto no Brasil.
As atividades serão conduzidas pela feminista Silvia Camurça,
socióloga e educadora do SOS Corpo – Instituto Feminista para
a Democracia no Recife (PE), abrangendo também palestras de especialistas
locais e professores universitários. Para efetuar a matrícula
no curso é preciso solicitar a ficha de inscrição
no endereço eletrônico: ambmsprojeto@yahoo.com.br . As vagas
são limitadas e serão emitidos certificados para quem participar
de no mínimo 75% da carga horária.
Calendário de Ações
de 26 a 30 de setembro do Mulheres da UNE (União Nacional de Estudantes): http://mulheresnaune.blogspot.com/
http://2.bp.blogspot.com/-ID2lFmgJZcg/ToEWJsjOIfI/AAAAAAAAAU8/
vj0XBmm5fLU/s1600/Marcha+Pela+Legaliza%C3%A7%C3%A3o
+do+Aborto+-+Essa+luta+nos+UNE.png
PUC-SP no dia 27/09
11hrs – Bosque
Roda de Conversa de Sexualidade
Organização Coletivo Yabá
PUC – SP no dia 27/09 às 18hs – Pátio
da Cruz
Mesa Conjuntura Brasileira e Legalização do Aborto
Organização Frente Feminista da PUC-SP
28/09 na PUC Campinas (manhã e
noite)
Debate sobre a Legalização do Aborto
28/09 as 12hs – Frente
do teatro Municipal
Panfletasso da Frente Nacional pelo Fim da Criminalização
das Mulheres e pela Legalização do Aborto
28/09 na PUC-SP
A partir das 22hs – FESTA pela Legalização do Aborto
Chamada Blogagem Coletiva:
Pela Descriminalização
e Legalização do Aborto
http://blogueirasfeministas.com/2011/09/chamada-blogagem-aborto/
Por mim,
por nós, pelas outras – Ato Público na
Praça do Ferreira
28 de setembro · 15:00 – 18:00
Praça do Ferreira – Fortaleza – Ceará – Brasil
Buscando denunciar a violência cometida contra as mulheres que
recorrem ao abortamento, a ausência do estado na morte de milhares
de mulheres durante a prática insegura do aborto ilegal, e motivar
a sociedade a pensar sobre o assunto, os movimentos feministas no Estado
do Ceará promovem o Ato público na Praça do Ferreira.
Venha você também e se some nessa luta!
Por mim, por nós e pelas outras!
Aborto legal já!
CINEMA E DIREITOS HUMANOS: DEBATES INTERDISCIPLINARES
Interrupção da gravidez no Brasil: um direito?
28 de setembro – Dia latinoamericano de luta pela descriminalização
do aborto!
Filmes: Uma história Severina e O aborto dos outros
Debatedoras:
Rosangela Talib (Católicas pelo Direito de Decidir – CDD)
Profª. Dra. Luciana Mello (SS da Unifesp-BS)
Dia 28 de Setembro de 2011, quarta-feira.
De 17:30h às 20h. – Auditório Ponta da Praia – Santos – SP
III Seminário Das Margens aos Centros: Direitos Reprodutivos
e Aborto – Goiânia
28 de setembro em Goiânia
Informações: http://transasdocorpo.org.br/uploads/d9fb89e3f21ae7431e1bb852771c5d19.jpg
Mesa redonda – Os
desafios atuais frente a criminalização do aborto/
Dia 28 de setembro às 18hs
Programa:
- O impacto da criminalização do aborto para as mulheres
(Dossiê do Rio de Janeiro) – Beatriz Galli – Advogada,
Consultora do IPAS
- A experiência das mulheres que passam pelo aborto em situação
de ilegalidade – Rogeria Peixinho – AMB-Rio e integrante
da Frente Estadual contra a Criminalização das Mulheres
e pela Legalização do Aborto
- O papel dos operadores do Direito e do poder judiciário – Maíra
Fernandes – Presidente da Comissão de Bioética e
Biodireito da OAB/RJ
- O posicionamento do Conjunto CFESS/CRESS pela legalização
do aborto – Maurílio Castro de Matos – Conselheiro
do CFESS
- O compromisso ético-político dos Assistentes Sociais
no atendimento ao pós-abortamento – Betânia Nunes – Assistente
Social. Especialista em Serviço Social e Saúde (UERJ)
Local: Auditório do CRESS – Rua México 41, sala 1.205,
Centro, Rio de Janeiro
Realização: Articulação de Mulheres Brasileiras,
o Conselho Regional de Serviço Social 7ª Região (CRESS),
o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), a Faculdade de Serviço
Social da UERJ e a OAB-RJ – Comissão de Bioética
e Biodireito
28 de Setembro de 2011, o Coletivo Vulva la Vida lança sua convocatória,
no mesmo dia em que milhares de mulheres no Brasil estão numa
sinergia pelo Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto. É na
inspiração dessa energia, dessa vontade de decidir sobre
nossas vidas, que abrimos nossa segunda edição da Convocatória
com o lançamento do documentário “Vulva la vida,
vida lá vou eu”, fruto de toda provocação
feminista gerada na primeira edição do Festival Vulva la
Vida. O documentário resgata a experiência da primeira edição
do Festival que aconteceu em Salvador (BA), entre 19 e 23 de janeiro
de 2011 e abarcou shows, oficinas, e debates voltados para a construção
de valores e práticas anti-sexistas e o fortalecimento da solidariedade
feminista. O vídeo conta com falas de organizadoras e participantes
do festival, que compartilham suas leituras sobre o evento, enfatizando
desde o processo de construção do Vulva la Vida, até avaliações
sobre a repercussão do mesmo, que de forma autônoma e idependente
conseguiu atrair mulheres de diversos contextos, tanto da Bahia quanto
de outros estados.
Mais informações:
http://festivalvulvalavida.wordpress.com/2011/09/02/lancamento-do-documentario-vulva-la-vida-vida-la-vou-eu-e-convocatoria-vlv-2012/
Chicken and Egg Pictures Invites Proposals From Women Filmmakers for
New Human Rights Film Fund
Grants from $5,000 to $25,000 are available to women filmmakers working
with U.S-based nonprofit organizations to produce story-driven documentaries
that address social justice, environmental, and human rights issues….
Deadline: September 30, 2011 (Letters of Intent)
http://foundationcenter.org/pnd/rfp/rfp_item.jhtml?id=352400022
OUTUBRO
Seminário “Imprensa e Agenda de Direitos das Mulheres – uma
análise das tendências da cobertura jornalística”
O evento, a ser realizado em Brasília, no dia 3 de outubro, vai
discutir como a mídia noticiosa pauta o debate público
com relação à temática de gênero.
O evento tem o objetivo de apresentar, divulgar e discutir os resultados
da pesquisa “Monitoramento da Cobertura Jornalística como
Estratégia para a Promoção da Equidade de Gênero”.
A iniciativa é do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero
da Secretaria de Políticas para as Mulheres e foi realizada pela
ANDI – Comunicação e Direitos, em parceria com Instituto
Patrícia Galvão. Foi feito um monitoramento de 16 jornais
de todas as regiões brasileiras na cobertura dos temas “Mulher,
Poder e Decisão”, “Violência contra as Mulheres” e “Mulher
e Trabalho”.
Informações: http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/observatorio-e-parceiros-realizam-seminario-201cimprensa-e-agenda-de-direitos-das-mulheres-2013-uma-analise-das-tendencias-da-cobertura-jornalistica201d
Inscrições: http://adm.informacao.andi.org.br/seminario
III SIMPÓSIO
INTERNACIONAL DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DA FMJ – 2011
quinta, 6 de outubro às 20:30
Local: Anfiteatro do Hospital Universitario da Faculdade de Medicina de Jundiaí 8-10 de Octubre en Bariloche (Argentina) – sede del 26° Encuentro
Nacional de Mujeres en 2011
http://www.26encuentromujeres.com.ar
Seminário Internacional “Pensando Gênero III”: “A
Psicologia para além do espelho”
18 a 20 de outubro de 2011
http://pensandogenero.weebly.com/
World Conference on Social Determinants of Health
October 19-21, 2011
Rio de Janeiro, Brazil
http://www.who.int/social_determinants/events/world_conference_2011/en/
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Notícias
Saiba
mais sobre a AADS | Ipas Brasil e como ajudar a organização
Dezessete anos após a sua criação como uma organização
nacional de saúde e direitos reprodutivos para mulheres, Ipas
Brasil está avançando
como uma ONG independente, um passo que reflete o seu histórico
de sucesso e crescente reputação
como liderança no esforço para reduzir a mortalidade materna
causada pelo abortamento inseguro no Brasil, país mais populoso
da América do Sul.
Temos
um novo nome - Ações Afirmativas
em Direitos e Saúde
| Ipas Brasil (AADS | Ipas Brasil) e um novo relacionamento com Ipas,
mas nossa missão
continua a mesma: garantir orientações e opções
de acesso seguro ao atendimento à saúde sexual e reprodutiva
de mulheres e adolescentes no Brasil.
A AADS | Ipas Brasil trabalha com foco nas
seguintes áreas:
» Melhoria da Qualidade
da Assistência à Mulher em Situação
de Abortamento: Capacitação multiprofissional em Normas
Técnicas e em Procedimentos Recomendados. Atualização
em tecnologia médica. Discussão de Valores e Ética.
» Advocacy em
Direitos Humanos, Sexuais e Reprodutivos: Identificar barreiras no exercício dos direitos humanos, sexuais e reprodutivos.
Promover ações de visibilidade
da mortalidade materna decorrente de aborto inseguro, e o impacto da criminalização
do aborto na saúde
das mulheres.
» Melhoria da
Atenção às Vítimas da
Violência
Sexual: Desenvolvimento de Projetos. Capacitação e integração
de profissionais e redes de serviços para assistência às
mulheres, jovens e adolescentes vítimas de violência sexual.
» Comunicação. Desenvolvimento e suporte de campanhas
temáticas:
Elaboração da Revista Eletrônica
"Saúde Sexual e Reprodutiva". Assessoria de imprensa. Apoio
e divulgação de projetos virtuais e impressos. Suporte na
criação de parcerias e divulgação
em network digital através de mídias sociais.
Para
saber mais sobre nossos projetos, resultados, campanhas e publicações,
visite:
www.aads.org.br
Uma
maneira de ajudar
financeiramente a organização, é através da compra de livros feitas
através do link abaixo:
http://www.jurua.com.br/shop_mulher.asp?parc=61616473
Além de imprimir e/ou divulgar o documento a seguir (em PDF):
http://www.aads.org.br/arquivos/fast_sheet_AADS.pdf

Estudo
prevê que Brasil não cumprirá Metas do Milênio
junto à mortalidade materna
Matéria da BBC, do dia 20 de setembro, trata das Metas do Milênio
e apresenta resultados de um estudo, realizado na Grã-Bretanha,
que prêve que o Brasil não conseguirá cumprir as
metas relacionadas à mortalidade materna . A pesquisa foi coordenada
pelos professores Rafael Lozano e Christopher Murray, do Instituto de
Métrica e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla
em inglês) da Universidade de Washington, Seattle, nos Estados
Unidos, e publicada na revista científica britânica The
Lancet.
Segundo as estimativas mais recentes, mais de 65 mulheres em cada 100
mil parturientes morrem no Brasil em decorrência de problemas na
gestação ou no parto. Nos últimos onze anos, quando
o mundo viu uma redução anual de 3,6% nesta estatística,
no Brasil o ritmo foi de apenas 0,3%.
O estudo avaliou o avanço dos países emergentes no cumprimento
de duas das metas do milênio, que os países se comprometeram
a cumprir até 2015. Globalmente, a pesquisa estima que o número
de mortes relacionadas ao parto caiu de 409 mil para 273 mil entre 1990
e 2011. As mortes de crianças com menos de cinco anos de idade
diminuíram de 11,6 milhões para 7,2 milhões no mesmo
período.
Apesar do avanço, apenas nove de 137 países emergentes
fizeram progressos suficientes para alcançar os objetivos nestas
duas áreas: China, Egito, Irã, Líbia, Maldivas,
Mongólia, Peru, Síria e Tunísia.
Como o Brasil, 124 chegarão a 2015 sem ter reduzido
em 75% a mortalidade materna entre 1990 e 2015, estimam os pesquisadores.
Com dados da BBC Brasil - Link: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110920_mortalidade_brasil_pu.shtml
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Ciência
e Pesquisa
Common mental disorders in late pregnancy in women
who wanted or attempted an abortion
Autores: Ludermir AB, de Araújo TV, Valongueiro SA, Lewis
G.
Departamento de Medicina Social, Universidade Federal de Pernambuco,
Brazil. abl@ufpe.br
Publicado em: Psychol
Med. 2010 Sep;40(9):1467-73. Epub 2009 Nov 26. em
Inglês
Abstract
Background. In countries where legal abortion is restricted,
many unwanted pregnancies are carried to term. Attempting an unsuccessful
abortion may influence women’s mental
health. This study investigated the common mental disorders (CMDs)
of depression and anxiety in the third trimester of pregnancy in
women who wanted or had attempted an abortion in a poor region of
Brazil.
Method. CMDs were assessed by using the 20-item Self-Reporting Questionnaire
(SRQ-20) in all pregnant women aged 18–49 years who were registered
with publicly funded primary health care in Recife, Northeast Brazil.
Results. The study achieved a high response rate and 1121 (98.9%)
women completed the interview. The prevalence of CMDs for the sample
was 43.1% [95% confidence interval (CI) 40.2–46.1],
and 63.6% (95% CI 55.4–71.2) among the 13.7% of women who attempted
an abortion. The association between CMDs and attempted an abortion
[odds ratio (OR) 2.05, 95% CI 1.3–3.1] remained after adjustment
for confounders.
Conclusions. This study found that attempting an abortion in the
current pregnancy was associated with CMDs. Good access to family
planning programs, including access to contraceptive methods and
safe abortion, should help to improve the mental health of women.
Available
at http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19939324

O
parto cesáreo e o sistema de saúde brasileiro: um
estudo em um hospital escola
Autores: Ulysses dos Santos Torres (Médico graduado na Faculdade de
Medicina de São José do Rio Preto, SP (FAMERP) - Maria Silvia
de Moraes (Docente do Departamento de Epidemiologia e Saúde Coletiva – FAMERP)
e Roseana Mara Aredes Priuli (Docente das Faculdades Integradas do grupo
FAIMI de Educação- Mirassol, SP)
Resumo
O objetivo do estudo foi discutir as taxas de cesarianas em
um hospital-escola referencial no atendimento as gestantes no interior
paulista. Foram analisados os dados das Declarações de
Nascidos Vivos referentes ao ano de 2005. Os resultados apontaram uma
incidência de 78% de cesarianas contra 45,31% no país no
mesmo período. Em uma série histórica entre 2001
a 2005 observaram-se um aumento consecutivo das taxas, 49%; 65%; 69%;
74% e 78%. Entretanto, esse aumento não foi acompanhado por mudanças
estruturais ou do perfil de atendimento hospitalar. Do perfil das mulheres,
igualmente na literatura, observou-se uma associação positiva
entre maior escolaridade e maior número de consultas pré-natais
analisadas. Sobre a fonte de financiamento do parto no hospital verificou-se
que a grande parte (71%) coube ao Sistema Único de Saúde
contra 29% financiado pelo sistema privado. Ainda, entre os partos financiados
pelo SUS, 69% foram cesáreas contra 99% no sistema privado. Altas
taxas de partos cesáreos intensificam os riscos à mãe
e à criança, assim como contribuem para elevar o financiamento
público com a saúde. Os estudos buscam associação
entre os padrões socioeconômicos, grau de escolaridade,
idade, número de consultas pré-natais das mulheres, formação
médica dos profissionais e altas taxas de cesáreas.
Correspondência:
Departamento de Epidemiologia e Saúde Coletiva. Faculdade de Medicina
de São José do Rio Preto. Av. Brigadeiro Faria Lima, 5416.
São José do Rio Preto, SP, Brasil. CEP: 15.090-000. Tel.
(17) 3201 5700- Ramal 5831. msmoraes@famerp.br
Fonte
de auxílio: Bolsa de Iniciação Científica.
Instituição financiadora: Faculdade de Medicina de São
José do Rio Preto.
PARA
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CLIQUE AQUI
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| Global
"(Des)penalizacíon
del aborto en Uruguay: Practicas, Actores y Discursos -
Abordaje interdisciplinario sobre una realidad compleja"
Equipo
interdisciplinario de la Universidad de la República.
El proyecto fue aprobado por la Comisión Sectorial
de Investigación Científica (CSIC), en el
llamado 2008 del fondo universitario para contribuir a
la comprensión pública de temas de interés
general. El equipo coordinador del proyecto está integrado
por: Niki Johnson (FCS), Alejandra López Gómez
(F.Psicología), Graciela Sapriza (FHCE), Gualberto
Arribeltz (F. Medicina), Alicia Castro (F. Derecho). Colaboradores/as:
Elina Carril (F. Psicología), Grazzia Rey, Alicia
Aleman (F. Medicina), Oscar Sarlo (F. Derecho), Constanza
Moreira (FCS), y Miguel Andreoli (FHCE).
Esta publicación
recoge los principales resultados del estudio (Des)penalización
del aborto en Uruguay. Prácticas, actores
y discursos. Abordaje interdisciplinario sobre una realidad compleja,
realizado por un grupo de investigadores/as de distintas disciplinas
y servicios de la UdelaR, con el apoyo de la Comisión Sectorial
de Investigación Científi
ca (CSIC). El proyecto fue presentado al llamado del Fondo Universitario
para contribuir a la comprensión pública de temas de interés
general, 2008, promovido por la UdelaR en cumplimiento del artículo
2 de su Ley Orgánica.
El Consejo Directivo Central defi nió para esa convocatoria cinco
temas prioritarios, entre
ellos, la despenalización del aborto.
El proyecto tuvo
como principal cometido generar conocimiento que contribuya a la comprensión
pública
del fenómeno
del aborto y las distintas perspectivas en torno a su (des)penalización
en Uruguay. Entre sus objetivos específi cos se destacaban ofrecer
un estado del arte sobre los hallazgos de investigación disponibles
a nivel nacional que den cuenta de distintas dimensiones de la realidad
del aborto; caracterizar la práctica del aborto
voluntario en Uruguay y las respuestas institucionales ante esta problemática;
reconstruir y analizar los debates políticos históricos
y contemporáneos
sobre la despenalización del aborto en el país, identifi
cando los principales actores políticos, sociales, religiosos
y académicos que han participado de ese debate;
y ubicar la realidad del aborto voluntario y el debate político-social
en el país en el contexto regional e internacional.
El equipo se propuso
mediante el análisis de fuentes primarias
y la revisión de fuentes secundarias confi ables ubicar estos
objetivos en el período post-dictadura (1985-2009), si bien se
registraron hitos relevantes previos a estos años, por su signifi
cación histórica, política
y social. En el marco de la investigación se relevó la
producción
académica
nacional sobre el tema del aborto y su despenalización; esta base
bibliográfi ca está disponible,
junto con la versión electrónica de esta publicación,
en el sitio web de la CSIC (www.csic.edu.uy). El trabajo de campo y el
procesamiento y análisis
de la información recabada se realizó durante el año
2009. Al ser un tema de la actualidad, constantemente se generan nuevos
acontecimientos y datos relevantes para su consideración. Aunque
sí se registraron
y analizaron aquellos hechos que sucedieron durante el período
de trabajo de campo (2009), fue imposible incluir aquí los sucesos
de la etapa posterior (2010), durante la cual este libro se estaba preparando
para su publicación. PARA
ACESSAR O DOCUMENTO COMPLETO (em PDF) - CLIQUE AQUI

Brasil
em Foco
"Políticas
Públicas para a Igualdade: balanço de 2003 a 2010 e desafios
do presente"
A
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB é a
autora dessa publicação. Ano 2011
A Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB é a
autora dessa publicação, que resulta de processos coletivos
de avaliação e análise das políticas públicas
no período 2003-2010, à luz da Plataforma Política
Feminista (2002). O conteúdo acumula e sintetiza os debates realizados
nos seminários nacionais “As mulheres na Democratização
da Gestão Pública” (2009 e 2010), em duas reuniões
do Comitê Político Nacional da AMB (Belo Horizonte, 2010;
e São Paulo, 2011) e em diversos momentos de discussão
sobre os desafios das lutas feministas no campo da legalização
do aborto, fim da violência, proteção às mulheres
no mundo do trabalho, justiça sócio-ambiental e reforma
do sistema político brasileiro. Por fim, incorporam muito do que
foi refletido e dos desafios apresentados pelo II Encontro Nacional da
AMB (ENAMB 2011).
PARA
ACESSAR O DOCUMENTO COMPLETO (em PDF) - CLIQUE AQUI

Direitos
Sexuais e Reprodutivos
"Advocacy para o Acesso ao Aborto
Legal e Seguro: Semelhanças no Impacto da Ilegalidade na Saúde
das Mulheres e nos Serviços de Saúde em Pernambuco, Bahia,
Paraíba, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro"
Soares,
Gilberta S.; Galli, Maria Beatriz; Viana, Ana Paula de A. L. Agosto
2011
A publicação tem o objetivo de oferecer um panorama
da realidade do aborto inseguro no Brasil a partir da reunião
de dados de levantamentos sobre a magnitude do abortamento inseguro
e o impacto de sua ilegalidade na saúde das mulheres e na qualidade
da atenção à saúde
reprodutiva em cinco estados brasileiros: Pernambuco, Bahia e Paraíba,
na região Nordeste, Mato Grosso do Sul,
na região Centro-Oeste e Rio de Janeiro na Sudeste.
A metodologia
utilizada mesclou dados quantitativos e qualitativos. De forma geral,
a situação da assistência ao abortamento é semelhante
nos vários estados pesquisados,
persistindo uma assistência desumanizada que discrimina e estigmatiza,
penalizando as mulheres que abortam. Os dados referentes à Bahia
e ao Mato Grosso do Sul, estados com alto percentual de mulheres negras
e indígenas,
respectivamente, enriqueceram o trabalho, demonstrando como os marcadores
de raça/ etnia e classe social
relacionam a problemática da clandestinidade do aborto à vulnerabilidade
dos grupos sociais; tornando-o um problema também de justiça
social.
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Saúde
Sexual e Reprodutiva
"Posição
da Federação Brasileira das Associações
de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) sobre gravidez
com fetos anencéfalos"
Olimpio
Barbosa de Moraes Filho (Comissão Nacional Especializada
de Parto, Abortamento e Puerpério) , Osmar Ribeiro Colás
(Comissão Nacional Especializada de Violência Sexual
e Inter.Gest.Prevista em Lei ) e Nilson Roberto de Melo (Presidente)
em junho de 2011.
A FEBRASGO, cientes
da extrema importância social e de saúde
pública, vem à presença de Vossa Excelência,
prestar as seguintes informações sobre GRAVIDEZ COM FETO
ANENCÉFALO, embasadas exclusivamente em estudos científicos
e tecnológicos, bem como tecer algumas considerações
que reputam imprescindíveis, data vênia, para a compreensão
do tema.
1. DA CERTEZA CIENTÍFICA SOBRE A INCOMPATIBILIDADE DA
ANENCEFALIA COM A VIDA
A anencefalia constitui
grave malformação fetal que
resulta da falha de fechamento do tubo neural, cursando com ausência
de cérebro, calota craniana e couro cabeludo.
A maior parte dos fetos anencéfalos (em torno de 65%) apresenta
parada dos batimentos cardíacos fetais antes do parto.
Um pequeno percentual desses fetos anencéfalos apresenta batimentos
cardíacos e movimentos respiratórios fora do útero,
funções que podem persistir por algumas horas e, em raras
situações, por alguns dias.
Nesse sentido, a anencefalia é “resultado de um processo
irreversível, de causa conhecida e sem qualquer possibilidade
de sobrevida, por não possuir o cérebro”. Portanto
a antecipação do parto ou a interrupção
da gravidez de feto anencéfalo, não é um processo
abortivo.
2. DO DIAGNÓSTICO DE ANENCEFALIA
A sensibilidade
da ultrassonografia é de 100% para a detecção
da anencefalia fetal1 e é desnecessária a realização
de procedimentos invasivos ou outros exames para a confirmação
diagnóstica.
3. DA ASSOCIAÇÃO ENTRE A ANENCEFALIA E AS COMPLICAÇÕES
MATERNAS E DO ELEVADO RISCO DE MORBIMORTALIDADE MATERNA
A literatura científica
demonstra a associação
entre anencefalia fetal e maior frequência de complicações
maternas, como hipertensão arterial e aumento do volume de líquido
amniótico (polidrâmnio), alterações respiratórias,
hemorragias vultosas por descolamento prematuro da placenta, hemorragias
no pós-parto por atonia uterina e embolia de líquido
amniótico (grave alteração
que cursa com insuficiência respiratória aguda e alteração
na coagulação sanguínea). Portanto, a manutenção
da gestação eleva o risco de morbimortalidade materna.
O sofrimento psíquico gerado pela gestação de
um feto anencéfalo pode promover quadro de estresse pós-traumático,
um transtorno mental de longa duração cujos sintomas
podem persistir por toda a vida.
4. SITUAÇÃO JURÍDICA ATUAL
Sob a compreensão de que o Código Penal não autoriza
o aborto em caso de anencefalia no feto, hoje, as mulheres que desejam
interromper a gestação não podem fazê-lo,
a não ser que busquem individualmente autorização
judicial. Porém, elas não têm garantias de obter
a autorização, afinal, dependem da interpretação
que o juiz ou promotor dará a cada caso. Esse quadro de exigência
de autorização judicial para o procedimento médico é ainda
mais agudo para as mulheres usuárias do Sistema Único
de Saúde (SUS), no qual o controle de legalidade do procedimento é maior
e, de forma concreta, constitui condição para o direito à assistência.
5. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
Impor a prolongação da vivência do luto de um
filho anencéfalo é torturar o ser humano, é submetê-lo
a tratamento desumano e degradante. Portanto, é antiético
negar ao casal progenitor a possibilidade da antecipação
terapêutica do parto (interrupção da gravidez)
nos casos de fetos anencéfalos.
O Estado não tem nenhuma justificativa para defender interesses
fetais nos casos de anencefalia, ou seja, nos casos de morte cerebral
fetal, impondo, ademais, risco adicional desnecessário e evitável à saúde
da mulher. Acreditamos, sim, que as mulheres devem ter o direito livre
e esclarecido de decidir pela interrupção ou não
de sua gravidez nos casos de fetos anencéfalos e que os médicos
não devem impor a essas mulheres as suas preferências
pessoais ou crenças, brutalmente fragilizadas pela doença
de seus fetos, em situação de elevada vulnerabilidade.
São Paulo, 16 de junho de 2011.
Olimpio Barbosa
de Moraes Filho (Comissão Nacional Especializada
de Parto, Abortamento e Puerpério), Osmar Ribeiro Colás
(Comissão Nacional Especializada de Violência Sexual e
Inter.Gest.Prevista em Lei ) e Nilson Roberto de Melo (Presidente)
FEBRASGO
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Reflexões
"Educação
sexual para prevenir. Contraceptivo para não engravidar. Aborto
seguro e legal para não morrer: Chamado à Ação 2011"
Descriminalização
e legalização
do aborto: Avanços e desafios neste 28 de Setembro
Chamado à Ação da Campanha 28 de Setembro pela
Despenalização e Legalização do Aborto
na América Latina e no Caribe e da Rede Feminista de Saúde
A Campanha 28 de Setembro marca nesta quarta-feira o Dia pela Despenalização
e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe.
A campanha é impulsionada pela Coordenação Regional
sediada na República Dominicana e apoiada pela Rede
de Saúde
das Mulheres Latino-americanas e do Caribe – RSMLAC e Rede
Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos que estão
divulgando a edição 2011 do Chamado à Ação,
documento que estimula uma reflexão sobre as questões
do aborto inseguro, sua clandestinidade e as consequências na
saúde das mulheres.
O documento traz um conjunto informações de avanços,
ameaças e retrocessos quanto ao direito à interrupção
voluntária da gravidez na região, mostrando que os Estados
na maioria dos casos não vêm assumindo o compromisso de
garantir a possibilidade das mulheres exercerem sua sexualidade e reprodução
com autonomia. A pauta da legalização do aborto no Brasil é parte
da programação do XI
Encontro Nacional da Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos com início,
nesta quinta-feira, 29, às 19 horas, no Salão de Eventos
do City Hotel, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Em seu manifesto, que pode ser conferido abaixo, a Campanha 28 de Setembro
denuncia que setores conservadores continuam agindo livremente, com
a conivência de muitos governos, para impedir o acesso de adolescentes,
jovens e mulheres adultas à educação sexual, a
todos os métodos contraceptivos e ao aborto seguro. No Brasil
esta campanha é coordenada pela Rede
Feminista de Saúde.
A Campanha 28 de Setembro foi criada no V Encontro Feminista da América
Latina e no Caribe, realizado na Argentina em 1990. As participantes
escolheram esta data para marcar ações de visibilidade
para a questão do aborto e reivindicações por
reformas legais pró descriminalização e legalização.
Abaixo a íntegra do Manifesto:
Descriminalização e legalização
do aborto: Avanços e desafios neste 28 de Setembro
Chamado à Ação da Campanha 28 de Setembro pela
Despenalização do Aborto na América Latina e no
Caribe e da Rede Feminista de Saúde
As questões relacionadas à saúde e direitos reprodutivos
estão ganhando terreno na agenda de discussão da nossa
região, assim como as políticas públicas e, nesse
sentido, parece haver mais avanços do que retrocessos. Assim,
fazendo um balanço geral da situação continental
por ocasião deste 28 de Setembro encontramos que de um lado
persistem condições muito graves quanto à negação
dos direitos humanos das mulheres, trazendo sequelas de sofrimentos
terríveis e desnecessários, também vimos elementos
esperançosos que poderão nutrir os nossos esforços
ao longo do próximo ano.
Por suas implicações políticas e estratégicas
para o trabalho das organizações que defendem os direitos
humanos das mulheres, cabe primeiro destacar os avanços em matéria
de jurisprudência internacional obtidos no último ano:
•
A concessão por parte da Comissão Interamericana de Direitos
Humanos de uma Audiência Temática Regional sobre Direitos
Reprodutivos das Mulheres na América Latina e no Caribe, solicitada
por 12 organizações feminista da região. Em sua
declaração posterior, a Comissão afirmou a necessidade
de despenalizar o acesso aos serviços de saúde materna
que limitam a obrigação dos Estados de garantir o direito à saúde
das mulheres, declarando explicitamente que a proibição
do aborto terapêutico "viola a vida, a integridade física
e psicológica das mulheres "[1].
•
O parecer emitido pelo Comitê de Direitos Humanos, das Nações
Unidas, no caso de uma jovem argentina, LMR, a quem foi negado o direito
de interromper a gravidez a que tinha direito de acordo com as leis
do seu país. O Comitê de Direitos Humanos criou assim
jurisprudência sobre a aplicação do Pacto Internacional
sobre Direitos Civis e Políticos, em relação aos
casos de aborto legal não punível [2].
• As recomendações feitas à Nicarágua
pelo Comitê de Direitos da Criança e Adolescentes quanto
a necessidade de descriminalizar o aborto em casos de gravidez resultante
de incesto e abuso sexual de meninas [3].
• As recomendações feitas a El Salvador pelo Comitê de
Direitos Humanos sobre a necessidade de "rever a sua legislação
sobre o aborto, tomar medidas para evitar mulheres que buscam os hospitais
públicos sejam denunciadas pelo crime de aborto, assim como
suspender a acusação contra as mulheres pelo crime de
aborto "[4].
• A decisão histórica do CEDAW, em um caso de
mortalidade materna no Brasil, onde o Comitê estabeleceu a obrigação
dos Estados de assegurar a todas as mulheres o acesso a serviços
acessíveis, não discriminatórios e adequados a
saúde materna [5]. Este é o primeiro caso de mortalidade
materna decidido em instâncias internacionais.
Estes avanços em matéria de jurisprudência internacional,
que nos lembram da importância de continuar a utilizar os instrumentos
e mecanismos internacionais de direitos humanos, têm implicações
importantes em vários sentidos. Em termos políticos, são
um passo importante no processo de deslocar a discussão sobre o aborto
da esfera da moral sexual para o âmbito dos direitos humanos o que, por
sua vez, é condição imprescindível para laicizar
legislação sobre o aborto na região, historicamente fundamentada
em premissas religiosas.
Em termos estratégicos estes avanços são um recurso
valioso para apoiar nossas exigências e demandas frente aos Estados,
a começar pelos países da região (Chile, Nicarágua,
República Dominicana e El Salvador), onde a proibição
legal não admite sequer o aborto terapêutico. Mas as graves
irresponsabilidades que incorrem os Estados em matéria de saúde
e direitos reprodutivos não estão limitados a países
com leis mais punitivas. Também naqueles países onde
o aborto está despenalizado (Puerto Rico, México DF),
assim como em outros da região, onde está permitido por
causais, os Estados têm falhado sistematicamente na sua obrigação
de prestar serviços oportunos e de qualidade, apelando a táticas
dilatórias (tais como exigência de certificações
ou atrasos na emissão de documentos), promovendo a objeção
de consciência pelos profissionais de saúde, restringindo
os orçamentos para os serviços de aborto e pós-aborto,
e negando a informação oportuna as mulheres sobre os
serviços que estão autorizados pelas leis do país.
A Jurisprudência internacional sobre direitos reprodutivos em
geral, e ao aborto em particular, fortalece a nossa posição
para pressionar os governos para que cumpram os compromissos internacionais
sobre o tema, assumidos em Beijin, Cairo e nos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio, cujos prazos se encontram em contagem regressiva,
sem que na maioria dos países se vislumbre a necessária
responsabilidade governamental em matéria de políticas
públicas para o seu cumprimento.
Finalmente, esta jurisprudência pode ser usada para fortalecer
nossas denúncias frente às agressões que sofrem
as defensoras de direitos humanos em nossa região, que vão
desde as ameaças telefônicas, as sabotagens sistemática
das nossas páginas da WEB, até pressões sobre
os empregadores, a difamação pública e ou assassinato.
De fato, para o nosso movimento é uma prioridade estratégica
denunciar as agressões feita por grupos ultra-conservadores
em toda a região, ante a indiferença, quando não
a cumplicidade direta dos governos, com frequência estimulados
por uma retórica irresponsável das igrejas que nos estigmatizam
e nos infamam rotulando-nos publicamente de assassinas.
Em vários países (incluindo o Brasil e a República
Dominicana), a igreja católica fez uma campanha política
aberta contra parlamentares que se mostram a favor da descriminalização
do aborto, além disso instigou os governos a iniciar processos
judiciais e assédio de várias formas aos provedores de
serviço de aborto. Uma das manifestações mais
odiosas da pusilanimidade dos governos, quando não da cumplicidade
direta, frente a esses setores ultraconservadores, se observa em El
Salvador, onde em vez de aplicar as penalidades de 2 a 8 anos de prisão
estabelecido no Código Penal para casos de aborto, as autoridades
judiciais com frequencia tipificam o fato como "homicídio
agravado por parentesco" para conseguir penas de até 30
anos de prisão para as mulheres (em sua maioria pobres) sob
a acusação de interromper a gravidez.
Devemos evidenciar e denunciar os comportamentos vergonhosos e antidemocrático
de instituições religiosas que se autoproclamam defesoras
da vida e paladinas da moral, ao mesmo tempo que atuam na promoção
de medidas para aumentar o sofrimento, adoecimento e a morte de mulheres
e meninas de todas as classes sociais porem, sobretudo as mais pobres,
que são sempre as principais vítimas da negação
dos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Neste sentido, é oportuno
saudar os esforços de um número cada vez maior de organizações
que promovem o uso correto do Misoprostol como um método abortivo
que reduz os riscos de saúde associados a clandestinidade. Dado
o sucesso dessas campanhas de informação, a redução
comprovada da morbidade e mortalidade associadas ao método e
empoderamento pessoal das mulheres que o mesmo promove, é de
esperar uma ofensiva a curto prazo por parte das igrejas, para a qual
devemos estar em alerta.
Finalmente saudar os avanços observados no último ano
em matéria de investigação científica e
de registro de evidência na região. Os comitês de
mortalidade materna e os observatórios de políticas públicas,
o registro de negligência e / ou violência na prestação
de serviços de saúde, estudos e pesquisas qualitativas,
etc, são matéria-prima indispensável para a construção
das bases analíticas que ancoram as melhores estratégias
políticas. Para ilustrar, consideremos que vários estudos
recentes documentaram a complexidade do vínculos entre o aborto
e a pobreza, não só na questão da maior vulnerabilidade
das mulheres pobres frente a ilegalidade, mas em relação
ao papel da pobreza e os baixos níveis educativos como determinantes
de atitudes mais conservadoras em relação ao aborto [6].
A constatação de que setores pobres e menos escolarizados
são os que mais se opõem à despenalização
deve levar ao desenvolvimento de análises mais refinadas e,
portanto, a busca de estratégias políticas mais efetivas.
A luta pelos direitos sexuais e direitos reprodutivos segue enfrentando
grandes desafios em nossa região, como atestam as estatísticas
de morte materna, morbimortalidade por aborto, gravidez na adolescência,
doenças sexualmente transmissíveis e outros. Muitos
dos desafios postos nos chamados à Ação para
a Campanha 28 de Setembro nos anos passados continuam em plena vigência.
Seguimos vivendo sob a ameaça do fanatismo religioso que infecta
cada vez mais as instituições sociais e políticas
da democracia. Porém, como demonstra este Chamada à Ação,
também temos razões para a esperança,para confiar
que nosso compromisso com os direitos de bem-estar e felicidade das
mulheres do nosso continente pode dar os frutos para aqueles que lutam
e continuam lutando.
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[1] Tanto el documento
presentado por las organizaciones en la audiencia temática como la declaración
final de la CIDH pueden obtenerse en el sitio web de la RSMLAC, http://www.reddesalud.org/actualidad/act1_int.php?id=243
[2] Ver “Argentina: Histórico Dictamen Comité de
Derechos Humanos de la ONU- CASO LMR”, http://www.reddesalud.org/actualidad/act1_int.php?id=258
[3] Ver “Comité de Derechos del Niño y la Niña
manifiesta preocupación por penalización total del aborto
en Nicaragua”, http://www.iidh.ed.cr/BibliotecaWeb/Varios/Documentos/BD_1772120041/Boletina%20setiembre-octubre2_1245745251.html
[4] Ver “Comité de Derechos Humanos recomienda a El Salvador
revisar situaciones de violencia contra las mujeres, penalización
del aborto y discriminación contra las mujeres”, http://www.iidh.ed.cr/BibliotecaWeb/Varios/Documentos/BD_1772120041/Boletina%20setiembre-octubre2_1245745251.html
[5] Ver “Decisión Del Comité CEDAW De Naciones
Unidas: Brasil Viola Los Derechos Humanos De Una Mujer En Caso De Mortalidad
Materna”, http://www.awid.org/esl/Las-Noticias-y-Analisis/Temas-y-Analisis/Decision-del-Comite-CEDAW-de-Naciones-Unidas-Brasil-viola-los-derechos-humanos-de-una-mujer-en-caso-de-mortalidad-materna
[6] En este sentido ver: Claudia Dides C. et al. 2011. Estudio de opinión
pública sobre aborto y derechos sexuales y reproductivos en
Brasil, Chile, México y Nicaragua. FLACSO, Santiago de Chile;
y Encuesta LAPOP, Cultura política de la democracia, 2010: Informe
de las Americas, Vanderbilt University (http://www.vanderbilt.edu/lapop/ab2010.php)
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