Projeto Amparo
AADS | IPAS BRASIL PROMOVE PROJETO CONJUNTO NA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA
Agosto, 2003 – Porto Velho, Brasil
Através do slogan “Não tenha medo, denuncie!” – a AADS | Ipas Brasil e o Centro de Educação e Assessoria Popular (Ceap) – promoveram o projeto AMPARO, uma iniciativa conjunta que visa a formação de uma rede de serviços de assistência para mulheres e adolescentes vítimas da violência sexual e doméstica na região Norte do Brasil.
Programado para ter uma duração de dois anos, o projeto AMPARO, cujo o nome significa “Ações Afirmativas de Atenção as Mulheres Vítimas de Violência Sexual e Domestica na Região Norte” busca a criação de um sistema de apoio à mulheres vítimas de violência para a obtenção de assistencia médica e legal, suporte psicológico, além de outros serviços necessários.
“Através de treinamento de pessoal nas áreas de saúde e direito, esperamos obter informações em como a violência sexual afeta mulheres e suas necessidades após sofrerem esse trauma” – afirma a diretora da AADS | Ipas Brasil, Dra. Leila Adesse, esclarecendo também que o projeto pretende enfatizar a criação de um conjunto de mecanismos integrados em ações para promover serviços médicos, legais e outros afins.
Entre os objetivos do projeto também está incluido o aumento do conhecimento da população sobre a ocorrência e o impacto da violência sexual e doméstica, além do aumento do envolvimento público em ações de prevenção e defesa dos direitos da mulher.
“Essa luta é importante para todas nós, pois viver com segurança e em paz é direito de todo cidadão , inclusive as mulheres “, disse a Dra Ida Peréa, presidente da Unimed de Rondônia durante a cerimônia de lançamento do projeto no dia 13 de agosto de 2003 – “Viver com segurança e em paz é um direito de qualquer indivíduo, inclusive das mulheres”.
A Unimed, uma coperativa privada de saúde, é uma das organizações financiadoras do projeto, juntamente com a Fundação Ford. A iniciativa também conta com o apoio da Sogiro (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Rondônia) e Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia).
O Ceap, principal colaborador do projeto AMPARO com Ipas Brasil (hoje AADS), é uma organização não governamental, que vêm há 18 anos trabalhando na área do desenvolvimento da comunidade através da educação popular no estado de Rondônia usando técnicas em direitos humanos. O Ceap tem coloborado com o governo do estado em programas relacionados à saúde da mulher e educação para adolescentes e adultos. O Ceap também possui parceirias com outras ONGs em projetos relacionados à gênero, violência, saúde e direitos humanos.
OBJETIVO DO PROJETO AMPARO:
O projeto Amparo (Ações Afirmativas de Atenção, Prevenção e Assistência às Mulheres Vítimas da Violência Doméstica e Sexual), propõe a formação de uma Rede de Serviços interligada na região Norte, que promova a articulação institucional, a interação e o envolvimento da sociedade na defesa dos direitos da mulher e no combate à violência doméstica e sexual, além de potencializar um sistema eficiente de DETECÇÃO, PREVENÇÃO e TRATAMENTO das mulheres e adolescentes vítimas da violência, que inclui desde a capacitação e treinamento dos agentes envolvidos neste contexto até a sensibilização para o envolvimento da população no resgate da cidadania feminina.
O projeto visa contribuir com a efetivação de ações afirmativas, através da articulação dos serviços em redes de saúde e segurança e Comunidade para assegurar a assistência as mulheres e adolescentes vítimas da violência sexual e doméstica, desenvolvendo ações de sensibilização e mobilização da sociedade civil organizada para o respeito aos direitos humanos, reprodutivos e sexuais da população feminina em situação de violência baseada em gênero, na região Norte.
CENÁRIO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NO COTIDIANO DA SOCIEDADE:
Na América Latina e Caribe, de 25% a 50% das mulheres são vítimas da violência doméstica; 33% sofrem abuso sexual entre os 16 e 49 anos; pelo menos 45% delas são objeto de ameaças, insultos e destruição de bens pessoais. Ou seja, em algum momento de suas vidas, metade das mulheres latino-americanas é vítima de alguma violência.
No Brasil, a cada 4 minutos uma mulher é violentada. Os crimes mais denunciados, nas delegacias de mulheres, foram lesões corporais (26,2%) e ameaças (16,4%). Ainda no Brasil, um terço das internações em unidades de emergência são conseqüência da violência doméstica. A Organização Mundial de Saúde adverte que violência contra a mulher, incluindo o estupro, constitui um sério problema de saúde e causa de doenças e de mortes femininas.
Nesse contexto, registra-se avanços em torno do aumento das denúncias feitas pelas mulheres vítimas da violência doméstica e sexual desde a instalação das Delegacias dos Direitos das Mulheres.
Rondônia participa deste cenário e a realidade é ainda mais trágica, quando em três anos, a média de ocorrências registradas de violência contra mulheres foi de 1.515 ou seja 126 casos ao mês. Os crimes de violência contra à mulher ocorrem em 43,6% na faixa de 18 a 29 anos; 38,4% na faixa de 30-49 anos; 80% dos casos são de lesão corporal; 35% de agressão física; 15% ameaça de morte; 3% de estupro e sedução.(DDM-RO/2000) Ainda em Rondônia 50 mil crianças sofrem violência física em casa, destas, 30% tem menos de 07 anos e em 40% dos casos a agressão é feita pelos pais. Cerca de 80% dos casos são do sexo feminino e 50% dos estupros são incestuosos. A maioria dos casos de abuso intrafamiliar ocorre com crianças, 61,3% entre a idade de 7 a 13 anos. (RELATÓRIO ÚMIDAS/2000).
Imagem dessa página (acima) é uma divulgação do projeto Amparo – Detalhe do cartaz do projeto.








